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Nova geração das letras
Página publicada em: 28/04/2008
Por Eugênio Martins Júnior
Um perfil da nova safra de escritores da região conhecida como "baixada santista", entre estes Marcelo Ariel e Flávio Viegas Amoreira ("Jornal da Orla", Santos, 27 de abril de 2008)
Em “Sondagem”, numa de suas crônicas, Carlos Drummond de Andrade explica ao empertigado carteiro Teodorico que algumas vezes as pessoas escrevem simplesmente para "esvaziar a alma". "Escrevendo, o camarada desabafa, entende? Pouco importa que seja lido ou não, isso é outra coisa".
 
Da nova safra de escritores nascidos ou radicados na Baixada Santista, alguns concordam com a primeira afirmação: escrevem para dar sentido à vida. Mas não concordam com a segunda, ou seja, querem sim ser lidos e, se possível, viver de seu ofício, a exemplo do poeta mineiro.
 
Entre tantos nomes dessa literatura, destacam-se os poetas Ademir Demarchi, Marcelo Ariel e Flavio Viegas Amoreira; Daniel Salgado, Helena Gomes e Kizzy Ysaits, na literatura fantástica; Luiz Cancello, com seus contos, e o romancista José Roberto Fidalgo, o mais novo a entrar no time.
 
Toda essa agitação não chega a ser um movimento articulado, talvez porque os gêneros sejam tão diversos quanto as letras que compõem o alfabeto. E se esses autores serão, algum dia, tão significativos quanto foram Vicente de Carvalho, Martins Fontes, Rui Ribeiro Couto, Paulo Gonçalves, Patrícia Galvão, Geraldo Ferraz, Manoel da Silveira e Plínio Marcos, só o tempo irá dizer.
 
Em comum, apenas o ponto de encontro: a Realejo Livros, uma espécie de City Lights santista. (A editora e livraria City Lights, em funcionamento até hoje, lançou grande parte dos autores beat que mudaram os rumos da literatura americana. Era também ponto de encontro de escritores na efervescente São Francisco dos anos 50 e 60). "As portas estão sempre abertas para professores, músicos, escritores e até clientes”, brinca o livreiro José Luiz Tahan, consciente do papel que o espaço exerce nesse momento de boa produção. "Independente do gênero, acredito que o nosso papel é o de fomentar a produção cultural da cidade. Realizamos eventos e lançamentos quase todos os dias", diz.
 
De acordo com o poeta Ademir Demarchi, nascido em Maringá e radicado em Santos, existem diversos níveis de qualidade nos trabalhos, mas o mais importante é que os escritores não estão focados somente na região. "Estão no embate com escritores nacionais. A qualidade e o apelo dessa literatura não devem nada a qualquer autor do país".
 
Além do livro de poesias “Os mortos da sala de jantar”, Demarchi é editor da revista Babel, que reúne os maiores nomes da poesia atual. Segundo ele, a revista surgiu da necessidade da experimentação dos autores e para dar visibilidade à nova safra de poetas. Babel, que está na sexta edição, já contou com a participação de Milton Hatoum, Wally Salomão e João Cabral de Melo Neto, além do santista Flavio Viegas Amoreira e do cubatense Marcelo Ariel, considerado a grande revelação da poesia nacional.
 
Flavio Viegas, que não distingue gêneros, publicou, nos últimos seis anos, cinco títulos pela editora 7 Letras, tornando-se um dos escritores mais prolíficos da região. É ativista cultural na cidade, mas também na ponte aérea Rio-São Paulo. "Tenho Santos como base, mas com a internet consigo me comunicar com escritores e vertentes do mundo inteiro. Poderia morar no Alaska ou no Japão que não faria diferença".
 
O poeta Marcelo Ariel é outro que não aceita ser rotulado como artista da região, apesar de usar sua Cubatão natal como inspiração. Diz ser um poeta do mundo e para ele a poesia, antes de tudo, tem um papel social: "Ela procura despertar a consciência do que é vivo e do que é real. Vivemos num mundo esfacelado por esse modelo de vida que nós mesmos criamos e não sabemos como lidar. Os políticos, a universidade e a elite não discutem alternativas, então sobrou pra nós, artistas, ser a consciência do nosso tempo", reflete.
 
O “Tratado dos Anjos Afogados”, seu primeiro livro, lançado essa semana na Realejo, teve a cidade de Cubatão, que ele chama de "terreno baldio do capital industrial" ou "a cidade vítima do Brasil", como pano de fundo. "Tentei fazer uma investigação metafísica da cidade. E isso só pode acontecer quando a cidade dorme. Com distanciamento". O trabalho recebeu espaço nas revistas Cult e Rascunho e nos principais cadernos de cultura dos grandes jornais. "Pra mim, a poesia é o culto à insônia. E esse livro nada mais é do que o fruto no jardim da insônia. Escrevo porque não durmo".
 
A safra também conta com autores que apostam em histórias fantásticas como Daniel Salgado, autor da saga épica “Contos de Árian”, que já está no segundo volume; Kizzy Ysatis, autor de “O Clube dos imortais, a nova quimera dos vampiros”; e Helena Gomes, autora da série “A Caverna de cristais”, que está no segundo volume e, aos poucos, está sendo desenfornada.
 
A primeira história de Daniel Salgado está sendo traduzida para a língua inglesa e o próprio autor está em contato com editoras para publicar o livro fora do Brasil. Além dos dois volumes publicados, Daniel planeja lançar mais seis histórias.
 
Kizzy foi o primeiro autor a ganhar o prêmio Raquel de Queiroz, da União Brasileira de Escritores (UBE), com a literatura fantástica, um gênero até então marginalizado. Seu próximo lançamento, “Diário da Sibila Rubra - o retorno das bruxas” está previsto para outubro. "Nesse livro procurei unir as mitologias brasileira e européia, reinventando-as e, ao mesmo tempo, difundindo-as. Criei uma ficção casando o que hoje é antigo nas duas culturas, para criar o meu mundo fantástico". Atualmente, o autor está em Santa Catarina fazendo a pesquisa para seu próximo livro.
 
Com o lançamento esta semana de “O Ano da Lagartixa”, o jornalista Roberto Fidalgo, que define o ato de escrever como “doloroso, porém terapêutico”, se tornou o mais recente membro do clube dos escritores. Optou por entrar pela porta dos fundos, publicando de primeira a sua obra em um blog na internet, angariando um publico fiel de leitores que viviam pressionando pelos próximos capítulos. Só depois resolveu publicar o livro da maneira convencional, ainda assim, independente, pela editora Os Viralata, seguindo a máxima punk "do it yourself".
 
Com toda uma vida dedicada ao jornalismo e à leitura de autores atormentados como John Fante, Charles Bukowsky, Jack Kerouac e Sam Sheppard, JR Fidalgo optou por contar uma "não-história", deixando que ela encontre seu próprio rumo. Em determinado momento, o protagonista passa a discutir com uma lagartixa sobre seu penoso trabalho de escrever textos idiotas sobre encomenda e o desejo/necessidade de escrever um livro, dilema de todo o jornalista. Daí para o revisionismo existencial foi um passo. "Não é um livro autobiográfico, mas tem muito pouco de ficção. Era pra sair um volume no formato livro de bolso, mas aí a lagartixa apareceu novamente e me fez retornar ao trabalho".
 
Os contistas estão representados pelo psicólogo Luiz Cancello, com o seu “Dias de Cão”, lançado no final de 2007. São 20 pequenas histórias que abordam aventuras domésticas do autor. "Como tantos escritores, pretendo apresentar uma leitura original de fatos banais, revelando uma face oculta do dia-a-dia. Gosto de olhar a vida através de detalhes do cotidiano e tenho a pretensão de que uma coleção desses pequenos átomos da existência acabem por formar uma visão maior do conjunto das lidas humanas. Ao ler o livro de Cancello, um leitor fez o seguinte comentário: "Descobri uma nova geografia de meu banheiro".
 
Ademir Demarchi, 48 - É bacharel em Letras e doutorado em Literatura Brasileira. Começou aos 18 anos publicando peças mimeografadas, mas diz nunca ter fantasiado viver da literatura. "Pra mim, literatura é uma espécie de jardinagem. É uma forma de levar uma vida mais sensível". Publicou recentemente pela Editora Realejo seu único livro de poesias, cujo tema central é as diversas formas de encarar a morte. "A sociedade foi organizada para moer gente: nas guerras, na organização social, nas formas de trabalho".
 
Helena Gomes - Autora de “Lobo Alpha”, “O arqueiro e a Feiticeira” e “Aliança dos povos”, Helena Gomes divide seu tempo entre o trabalho em uma assessoria de imprensa e as aulas que ministra em uma universidade local. Para 2008, ela preparou os lançamentos “Despertar do dragão”, o infantil “Código criatura” e o juvenil “Assassinato na biblioteca”. Com o escritor Cláudio Brites organizou a antologia de contos “Anno Domini - manuscritos medievais”. Seu primeiro livro, uma co-autoria com a jornalista Viviane Pereira e com o cartofilista Laire José Giraud, foi a não-ficção “Memórias da Hotelaria Santista”, em 1997.
 
Marcelo Ariel- Nasceu em 1968 e cresceu em Cubatão na época em que a cidade era rotulada de a mais poluída do mundo. Viveu a tragédia da Vila Socó, fato que marcará sua obra e sua vida. Aos oito anos era levado pelo irmão esquizofrênico a uma biblioteca da cidade para aprender a ler. Mais tarde, iria cuidar do mesmo irmão por 17 anos. Segundo Ariel, essa foi sua maior influência para escrever, pois passava noites acordados.
 
José Roberto Fidalgo, 55 - Começou no jornalismo em 1973 no jornal A Tribuna. Já havia escrito outras histórias, mas nunca com a intenção de publicar, pois diz não ter formação e nem pretensão literária. Em A Tribuna trabalhou e foi influenciado por Roldão Mendes Rosa e Narciso de Andrade. Antes da edição impressa, “O Ano da Lagartixa” foi publicado na internet, tendo recebido um bom retorno. "Nós, jornalistas, temos a habilidade de lidar com as palavras. Não chega a ser um talento, mas quem está de fora acha que é".
 
Daniel Salgado, 29- Largou um emprego burocrático para se dedicar à literatura. Diz que está melhor assim. É autor da série “Contos de Árian”, que tem dois volumes publicados pela editora Novo Século: “O caçador de gigantes” e “O lobo de Gaia”, classificados como romances épicos. Os “Contos de Árian” reúnem as histórias que Daniel contava - e ainda conta - para sua filha Ariane, de oito anos. Trata-se da história de um pai guerreiro cuidando da segurança da família, em especial da filha, em um mundo fantástico onde deuses interagem com os seres humanos. Através de minuciosa pesquisa, o autor criou toda uma mitologia em torno da cidade fictícia de Árian.
 
Kizzy Ysaits- Nasceu em Santos, morou na Espanha e no momento está viajando para coletar dados para seu próximo trabalho. Diz devorar livros, seus maiores amigos desde a infância. Em suas andanças, fez quadrinhos, teatro e se tornou fã do rock gótico dos anos 80 e de filmes de Woody Allen e M. Night Shyamalan. Na literatura, admira Oscar Wilde, Clarice Lispector, Ana Maria Machado, Virginia Woolf, Balzac e Rimbaud. Boêmio e solitário, Ysaits adotou o visual peculiar de seu personagem: capa, cartola e coturno, tudo preto. Por “Clube dos imortais, a nova quimera dos vampiros”, recebeu o prêmio na Academia Brasileira de Letras das mãos do imortal Antonio Olinto.
 
Flávio Viegas Amoreira, 43 - É um dos mais ativos de Santos, mas não se considera um escritor santista: "Moro em Santos, mas vivo na literatura". Desde 2002 publicou “Mar alto”, “A Biblioteca submergida”, “Contogramas”, “Escorbuto: Contos da Costa” e “Edoardo: o ele de nós”. Todos tratam de dois temas essenciais ao autor: o desejo e o mar. "Escrevo por desespero. Para questionar o absurdo. Classifico meu trabalho como literatura do estilhaço. Escrevo de forma videoclíptica, que é como a vida é hoje". Viegas vive de escrever resenhas, traduções e obituários. É formado em História.
 
Luiz Antonio Guimarães Cancello - É santista de nascimento, psicólogo, escritor e músico. Publicou dois livros sobre psicoterapia: “O fio das palavras - um estudo da psicoterapia existencial”, em 1991; e “Informal, nômade, tradicional - os psicólogos, psicoterapeutas e seus grupos de estudos”, 2007. E também dois livros de contos “Dia-a-dia: fragmentos” e “A carne e o sonho”. "A agilidade da narrativa capta um flagrante da vida, tece as considerações através do narrador e logo fecha a questão. Aquilo que é transmitido dessa maneira vai adquirindo um "jeitão" na seqüência dos contos. Em Dias de Cão, muitas histórias são contadas explorando pequenas manias dos personagens, muitas das quais se revelam na intimidade do banheiro".

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» Nelly Novaes Coelho

Nelly Novaes Coelho nasceu na capital de São Paulo, em 17 de maio de 1922, pouco depois da Semana de Arte Moderna. Em 1960, inicia a carreira de docente universitária, como professora-assistente do Prof. Antônio Soares Amora, área de Literatura Portuguesa. Em 1961, acumula esse cargo com o de professora titular de Teoria da Literatura, na Faculdade de Letras de Marília (onde lecionava nos fi ns de semana). Segue a carreira universitária: doutora em Letras (USP, 1967), livre docência (USP, 1977). Professora-adjunta (USP, 1981) e professora titular de Literatura Portuguesa (USP, 1985). Nesse período, inicia-se como crítica e ensaísta literária, colaborando no Suplemento Literário de “O Estado de São Paulo”. Especializa-se em Literatura Contemporânea (portuguesa e brasileira). No decorrer de sua carreira acadêmica, entrega-se à docência e à crítica, publicando em jornais e revistas do Brasil e do exterior. É reconhecidamente uma das mais importantes críticas literárias e conferencistas de literatura brasileira e portuguesa no Brasil.

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