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O homem deserto sob o sol
Página publicada em: 01/03/2008
Edivaldo de Jesus Teixeira / Preço: R$20,00 (104 pág.)
R$ 20,00
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O LUTUOSO TECIDO DA SOLIDÃO - Prefácio de Olga Savary*
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Afirmam alguns que a poesia não serve para nada. Poderia ser verdade, mas não é. Poesia não serve para nada... a não ser para a essência do ser, para o essencial da vida. O poeta tem o olhar que reflete, não o que mede. O olhar que mede é preconceituoso – o poeta é aquele que a rigor não tem preconceito algum. Outra coisa: o artista não tem que ter pressa, não tem que ter carência e ânsia de ser reconhecido. Literatura? Arte e cultura? Só se não der para escapar. Se for só para pensar em conquistar fama, sucesso e dinheiro (ou, como se diz brincando, vinho, mulheres e música), não vale o sacrifício. Porque é esforço, sacrifício e dedicação o tempo todo. Parece uma vida só de beleza e felicidade. Mas não é. E, ao mesmo tempo, é.

Tudo o que foi dito acima semelha compor o retrato do poeta Edivaldo de Jesus Teixeira. O silêncio, a discrição, a modéstia são qualidades encontradas no texto e na maneira de ser deste poeta e juiz paranaense, radicado em Mogi das Cruzes, São Paulo. Seu fazer poético é de uma precisão e beleza bem caras à própria natureza da poesia. Quem conhece de fato poesia, sabe que ela ama a concisão, a economia de linguagem, a escritura enxuta, sem adiposidades. Reservada e circunspecta, sua ars poetica é ímpar, singular e plural a um só tempo. Tom Jobim disse certa vez que as pessoas pensam que música é ruído organizado; música é silêncio. Ruído é excitante, impacta. Ingrediente básico da poesia, silêncio induz ao sussurro.

O silêncio para fora nos propõe contemplação: da natureza e da natureza do homem. Octavio Paz, em seu livro de ensaio O Arco e a Lira, reconhece que a natureza é indiferente e desconhece o Homem. Talvez por causa desse fato o ser humano investe tão agressivamente contra ela. Tendo como pano de fundo a esperança, O homem deserto sob o sol desce o lutuoso tecido da solidão, compondo salmos, elegias, sonetos, cantos, canções, fugas, ressonâncias, vozes a denunciar que na sinfonia da vida o maestro acaba por se matar antes de alcançar a harmonia. Mas o poeta, este aqui, homenageia seus antecessores na escrita, os que vieram antes: Borges, Lorca, Dante, Drummond, Murilo Mendes, Gullar, Baudelaire, Mallarmé, Eliot, Pound, Bashô, entre outros pares. Vale o diálogo, apesar de certo pessimismo.

Empregando no início do livro uma epígrafe da mestra Emily Dickinson, precursora da poesia moderna (onde ela diz que a palavra não morre mal é pronunciada, mas sim que é aí que ela nasce), Edivaldo de Jesus Teixeira é um cultuador da palavra escrita, matéria-prima do poeta. Os olhos que o poeta gira sobre as coisas situam-no no mundo. Dessa experiência muito dele, e só dele, visão única (como únicos são a impressão digital humana e o desenho da cauda da baleia, sem igual em qualquer outro) é que nasce a sua palavra, e dessa palavra ele se alimenta em sua solidão ativa.

Desse olhar, dessa visão, entre as pedras e as estrelas, o poeta exorcizará a sombra, na direção da alba onde jorra a luz, o puro ouro da poesia que exorciza a morte e inaugura a vida: “A sombra assim posta/ em que matéria pena?/ São quantos os quasars/ de uma sombra apenas?”. Para não perder o azul, o poeta refugia-se na dor, ainda que reconheça na dor o refúgio corporal da sanidade. Toda ordem conspira contra a vida em complexa genealogia. Por quê? Por sepultar a ilusão das coisas. Assim, toda ordem conspira contra a multiplicação dos pães e a divisão das riquezas. E o suave caos não justificará jamais nossa comum finitude. Alheio aos ruídos da tarde, sua paciência percorre conceitos vagos de direito, na provisoriedade das soluções humanas.

Alimentado de silêncio e de fulgor intenso, onde há uma luz onipresente e mínima treva – há treva e luz no que faz o criador – a poesia de Edivaldo de Jesus Teixeira arde em todo o livro O homem deserto sob o sol. Seu texto tem sobejamente o que Machado de Assis dizia da literatura: que esta fica, eleva, honra e consola. Seria a vida, como diz o Autor, um círculo onde os rostos envelhecem lentamente, transformando sempre esta obra-prima (a vida) apenas em rugas, musgos, pântanos, sementes? Seria apenas essa vã procura de transcendência para além da vida? Filosofando sobre o escândalo que a vida é, a poesia social, transcendente e pungente de Edivaldo de Jesus Teixeira finge acreditar, ainda, no paraíso, avessa à conclusão, movendo-se poderosa entre solidão e solidariedade.

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*OLGA SAVARY é escritora (poeta, ficcionista, crítica, ensaísta), tradutora e jornalista. Integra mais de 900 livros pessoais e coletivos, entre os quais Repertório Selvagem – Obra Reunida, pela Biblioteca Nacional, vários Dicionários de Escritores, Guias e Enciclopédias Literários. Convidada, é a única brasileira a constar da antologia Poesia da América Latina (entre apenas 18 poetas e dois Prêmios Nobel: Neruda e Octavio Paz) editada em 1994 na Holanda, das antologias Os Cem Melhores Contos do Século e Os Cem Melhores Poemas do Século, organizadas pelo Professor Ítalo Moriconi para a Ed. Objetiva, 2000.

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» Fiodor Mikhailovich Dostoievski

Já na estreia, com "Gente Pobre", publicado quando Dostoievski tinha apenas 25 anos, o crítico mais influente da Rússia, Vassilión Bielínski, vaticinou o surgimento de um gigante da literatura, comparável a Gógol e Pushkin, considerados os maiores escritores da Rússia. Recebido como “a primeira tentativa de se fazer um romance social” no país dos czares, "Gente Pobre" entretanto já prenunciava a incisiva e subterrânea sondagem psicológica da humanidade ‘humilhada e ofendida’ que se observa em todos os seus romances, e que levou o pai da psicanálise, Sigmund Freud, a considerar "Os Irmãos Karamazov" (1879) a “maior obra da história”.

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