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Página publicada em: 26/05/2018
Manoel Hygino dos Santos
Vida, costumes, história, política... A Amazônia brasileira sob a ótica do mineiro Fábio Lucas, que faz uma "viagem" ao Norte através da literatura. Leia, a seguir, o texto do crítico mineiro Manoel Hygino dos Santos, publicado originalmente no jornal "Hoje em Dia", Belo Horizonte-MG, 17.09.2012.
Quando se é criança e se estuda no curso primário ou fundamental, tem-se impressão de que a Independência do Brasil se deu como num passe de mágica. Guarda-se a imagem na memória do quadro famoso, que retrata D. Pedro I, às margens do plácido Ipiranga, erguendo o braço para declarar “Independência ou Morte”. Nada mais enganoso.
 
Até hoje nos esforçamos para conquistar a independência, embora mortes, numerosas, se deram para fazer do gesto do príncipe uma realidade. Houve reações em muitas regiões brasileiras, não apenas movimentos, embora isolados, aqui e ali. Na Bahia, por exemplo, há uma data para a independência, que não é o 7 de setembro.
 
Em Peregrinações Amazônicas, livro de Fábio Lucas, recentemente lançado pela LetraSelvagem, na coleção À Margem da História, evoca-se como repercutiu a Independência. O escritor mineiro, membro das academias de letras de nosso Estado e da paulista, com o brilho de sua inteligência e de seu saber, conta os fatos, chamando a atenção especificamente para a cobiça internacional sobre a Amazônia brasileira, que corresponde a 60% do território nacional.
 
Proximamente, irei ater-me a alguns aspectos do excelente livro que muito ensina em menos de 200 páginas. Diria até que, no feriado que passou, lendo-o, aprenderia mais em termos de história do que ao longo de cursos inteiros.
 
Convém ressaltar que o Pará dispunha de contato direto com Portugal. Era mais fácil dialogar e comercializar com Lisboa do que com o Rio de Janeiro. Poder-se-á, conferindo distâncias em um mapa, encontrar as razões.
 
A província do Norte foi a última a aderir à proclamação da Independência, o que se deu apenas em 15 de agosto de 1823 (quase um ano após o Ipiranga). Até então, vigiam as leis portuguesas.
 
Um interregno para as nações da Europa e para os Estados Unidos tentarem pôr mãos e pés no território descoberto por Cabral mais de 200 anos antes. Não teria sido difícil a invasão europeia ou dos americanos do Norte. Portugal, contudo, foi sabido, como registra Fábio Lucas: “Incapaz de ocupar todo o território e de explorá-los inteiramente, tudo fez para que ficasse distante dos outros povos, ocultando suas riquezas e vedando a sua exposição à navegação fluvial. Assim, Portugal fechou o Amazonas aos estrangeiros”. Azar deles, sorte nossa, que mantivemos inteiriça a terra brasileira.
 
 
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*Manoel Hygino dos Santos é escritor e jornalista, membro da Academia Mineira de Letras

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» Hernâni Donato

Hernâni Donato já foi chamado de "o homem dos sete instrumentos". Isto porque, aos 89 anos de idade, membro da Academia Paulista de Letras, é autor de mais de 70 livros, nos mais variados campos da atividade humana, indo da literatura infanto-juvenil à biografia, da historiografia aos costumes, da pesquisa à divulgação científica. Entre as numerosas traduções que realizou, destaca-se a da "Divina Comédia", de Dante Alighieri, em prosa e para divulgação entre o povo. Mas foi no romance que se deu a perfeita combinação do observador minucioso, na linha do cientista social, com o escritor de estilo claro e elegante. É o autor de "Selva Trágica", "Chão Bruto", "Rio do Tempo", "O Caçador de Esmeraldas" e "Filhos do Destino", sucessos editoriais nas décadas de 1950 e 60. Alguns críticos, como Abdias Lima (“Correio do Ceará”, 2/2/1977, Fortaleza, CE), aproximaram Hernâni Donato de Erskine Caldwell e John Steinbeck, a geração norte-americana da revolta, o Caldwell de "Chão Trágico" e o Steinbeck de "As Vinhas da Ira".

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