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As "peregrinações amazônicas" de Fábio Lucas
Página publicada em: 26/05/2018
Carmen Schneider Guimarães
Uma "viagem" à Amazônia majestosa e ainda tão pouco conhecida dos brasileiros, através da literatura até aqui produzida "na" e "sobre" essa região, com sua diversidade étnica e cultural e seus dilemas. Confira, a seguir, a resenha da crítica mineira Carmen Schneider Guimarães.
Temos, mais uma vez, os estudos de profundidade do conhecido crítico literário Fábio Lucas, agora com incursões nos temas sertanejos do norte e avaliações preciosas de escritores que se detiveram na saga amazônica, dentro do livro Peregrinações Amazônicas (Associação LetraSelvagem, Taubaté, SP, Brasil, 2012).
 
O autor de Peregrinações Amazônicas - História, Mitologia, Literatura - houve por bem, e pensando muito na facilidade que seus leitores encontrariam para a assimilação do assunto, que, diga-se de passagem, é cativante, decidiu que o livro fosse dividido e subdividido em temas elucidativos.
 
Depois da “Introdução” com Lendas e Memórias da Amazônia, quando o escritor confessa que colecionava lendas e fatores culturais “em minha consciência já monumentalizados”, declara ainda que realizava a coleta de títulos e obras que lembravam-lhe “os esplendores daquela parte do Brasil”.
 
E muito desvenda o autor em Mário de Andrade, na poesia e na prosa. E é assim que ele começa sua caminhada, revendo o “Acalanto do seringueiro”, naquele pedacinho que diz: “Macambúzio, pouca fala,/ Não boxa, não veste roupa/ de palm-beach...” e acrescenta o poeta do Modernismo:  “Mas porém é brasileiro/ Brasileiro que nem eu...”.
 
Desse modo, fazemos que nem ele fez, Fábio Lucas, copiando, citando, reverenciando aquele revolucionário da língua sua contemporânea. Aqui não será um livro, porém uma referência, uma apreciação bastante resumida, embora coisas amazônicas devam ser avantajadas de tamanho e de ideias. E seguindo o caminho que o autor nos aponta, vamos com o jornalista-escritor Miguel de Almeida, que refaz a viagem de Mário, contada no Turista de Aprendiz, levando posfácio de Márcio de Souza, autor de Galvez, o Imperador do Acre; esse que anteviu a batalha de Chico Mendes, “ante a sombra devastadora do chamado e aplaudido agronegócio”. Caminha com desenvoltura, FL, mostra e aponta excelências na bibliografia amazônica. Cita Gastão Cruls, com A Amazônia Misteriosa,enquanto Alberto Rangel lança o livro de contos Inferno Verde; Inglês de Souza, depois de O Missionário, apresenta-nos Contos Amazônicos. E o autor continua indicando numerosos escritores, como Dalcídio Jurandir que escreveu uma dezena de romances, quase todos com universo amazonense. Entre eles, Chove nos campos de Cachoeira; Marajó e Belém do Grão Pará.
 
Fábio Lucas demora-se com Peregrino Júnior, e depois de citar seus trabalhos múltiplos, refere-se a um conto em especial, que segundo ele, “dará larga contribuição à história do cotidiano amazonense”. Trata-se do “Areia-gulosa”, no qual, em determinado trecho, o casal- personagem constrói casa e canoa.
 
Algumas outras leituras são abordadas por FL, em especial as obras de João de Jesus Paes Loureiro, nas plagas paraenses; Age de Carvalho, poeta, emigrado para a Europa e Joaquim Francisco Coelho já então radicado nos EEUU; de fora do Brasil, especiais vozes também se levantaram pelas sendas amazonenses, com relevo, o comentado romance do imigrante português Ferreira de Castro, A selva, retratando com realismo a desventura dos seringalistas, embora o autor, mais tarde, estivesse envolvido com escândalos, depois da publicação de seu Carne faminta,quando trata da fome sexual na selva. Com estudos da ambiência amazônica e dissertações sobre o tema, Abguar Bastos, muito premiado, lança  Amazônia que ninguém sabe, A conquista do Acre e Introdução à história social do Acre.
 
Fábio Lucas fala de escritores atuais, quando cita Maria Angélica Guimarães Lopes, com Voo certeiro; a novelística de Oswaldo França Júnior, que na opinião do ensaísta, De ouro e de Amazônia é narrativa que integra o moderno ciclo do ouro.
 
Anthístenes Pinto e Salomão Larêdo, este, autor do romance Vera e dos contos do livro Capitariguara e na Conceição dos Araguaia; conta FL ter mantido com esses escritores correspondência valiosa. Curiosa citação faz ainda, referindo-se ao Professor Milton Hatoun, de seu Dois irmãos, que serviu também ao escritor Oswaldo França Júnior, no título Os dois irmãos; seguiu-se Antônio Olinto, com o romance Sangue na floresta.
 
Entre os poetas referidos por FL, duas mulheres sobressaem: Astrid Cabral e Olga Savary, esta, com seus hai-kais inseridos no volume Repertório selvagem. Afonso Félix de Souza e Aricy Curvello estão na lembrança do lirismo amazônico.
 
Fábio Lucas finaliza a “Introdução” de seu livro, avaliando outros grandes escritores e poetas que se dedicaram à Amazônia. São eles: Jorge Tufic, com vistas ao Agendário de sombras, e fala convicto: “Tenho especial devoção pelo poema Bokéka, a onça invisível do Universo. Forte e sedutora concepção, tão mencionável quanto a afortunada Cobra Norato de Raul Bopp, de quem recordo o verso: Pararam no teu olhar as noites da Amazônia, mornas  e imensas...” Repete Fábio Lucas, em exclamação: “Mornas e imensas...!”
 
Revela ainda mais nomes, o do amigo Pedro Vicente Costa Sobrinho, autor de Capital e trabalho na Amazônia ocidental. O companheiro Nicodemos Sena, “romancista de peso, autor do incomparável A espera do nunca mais – Uma saga amazônica” e mais: A noite é dos pássaros.
 
É com o catálogo da exposição “Amazônia Brasileira”, de 2 de dezembro de 1969, que o escritor encerra a Introdução de suas “Peregrinações amazônicas”.
 
Pela exuberância do “Intróito”, podemos aferir a profundidade do trabalho. O peregrinar de Fábio Lucas leva-nos junto àquelas paragens encantadas de um Brasil diverso deste que conhecemos melhor. E tomamos carona nos quatro capítulos que sua experiência analítica nos oferece. Parte ele para suas considerações, nesse primeiro momento, com cabeçalhos sugestivos: “Olhares cobiçosos: Navegação, Borracha, Pesca, Madeira, Biodiversidade, Gado, Soja”, com subtítulos de “Capítulos da Brasilidade e a cobiça Amazônica”.
 
O peregrino das sendas literárias amazônicas vai buscar o Brasil de quinhentos anos, e explica muito da variedade cultural e das características que vieram moldando o povo brasileiro. E diz da ajuda dos portugueses, já eles, no nascedouro de nossa cultura, mostrando séria diversidade, fundamentada numa tradição de herança greco-romana com as contribuições árabes e judaicas.
 
É que temos de correr com as páginas para fugirmos de escrever outra obra, e encontramos uma citação magnífica, justamente quando o autor desnuda um escritor muito nosso conhecido, Guimarães Rosa, rendando palavras, como de seu feitio: “E, ao descobrir, na mata, um angelim que atirara para cinquenta metros de tronco e fronde, quem não terá ímpetos de criar um vocativo absurdo e bradá-lo ‘Ó colossalidade! – na direção da altura’".
 
O autor de Peregrinações Amazônicas já caminha na Independência do Brasil, elogiando a primeira fase de consolidação do país, e acentua que o forte, ou “o mote”, como denomina, é a defesa e preservação da Amazônia, e acrescenta que Eduardo Nogueira Angelim, justamente o inspirou na evocação poética de Guimarães Rosa. É dessa época os comentários maldosos vindos dos Estados Unidos de que o Brasil não abria as portas aos barcos que poderiam trazer civilização ao país.
 
Fábio Lucas não se prende exclusivamente à questão amazônica. Na verdade, faz uma leitura bastante curiosa da História Pátria ao interpretar escritores como o próprio Angelim, e acompanha passos preciosos do desenrolar dos momentos importantes pelos quais os estados do Noroeste brasileiro passaram.
 
No próximo seguimento, “A Visão do embaixador”, FL  relata o exercício de lúcida atividade do Ministério dos Negócios Estrangeiros durante o período Imperial, visando desmistificar aquela idéia de que o Brasil estaria fechado ao convívio com países estrangeiros.
 
Ao correr das páginas, listamos outro tópico de valor real: “Aspectos contemporâneos: A Biodiversidade”, que afeta já o interesse geral. Fábio Lucas dedicou seus estudos, a princípio, às questões históricas mais acentuadamente; saltou para a geografia, na expansão e demarcação do território (Acre e as fronteiras com a Bolívia); e a seguir, o assunto parece prender-se mais às referências econômicas, quando aborda os ciclos pelos quais a região amazônica vinha caminhando: a borracha, a pesca, a madeira e o gado, grandemente historiados, no realce do auge e do declínio dos seringais. Alerta-nos, sempre, o escritor, para que sintamos que a obra literária é uma estrutura de palavras em silêncio, cabendo ao crítico despertar-lhes a fala e servir-lhe de ressonância estrutural do livro.
 
Vamos entrar no II Capítulo, onde entendemos postar-se mais espaçosamente o autor. Cremos conter exatamente o cerne do trabalho: “Euclides da Cunha, escritor e pensador da nacionalidade: a fase amazônica”.
 
O sertanista, dominador daquelas exuberantes paragens e palavras do imensurável Os Sertões, estendeu-se e adentrou terras da Amazônia. E Fábio Lucas vai encontrá-lo nessa época de transição política do país, “a passagem do período imperial para a fase republicana de nossa História”. O autor escava um manancial de verdades na crítica ao antropólogo, e atesta que “nenhum outro aspecto da vida e da obra de Euclides da Cunha é mais importante do que a de escritor, em que alcança, por vezes, cintilações de gênio”; acreditamos que assim, o biografado supera com a arte literária, as demais características que marcaram sua personalidade. De profissão, era Euclides da Cunha, além de engenheiro, jornalista, devotadamente voltado para as ciências sociais.
 
Fábio Lucas lembra que o escritor mostrava-se particularmente “receptivo às novidades e que sofreu a influência indireta de Ratzel, o arquiteto da antropogeografia; de Darwin, prógono de toda uma escola; de Gumplowick, de Comte, de Marx e de outros responsáveis pelo clima (...). Mas conclui, dizendo que “a técnica da “observação participante  o transferiu para o esboço de uma Sociologia aplicada”.
 
O estudioso do homem daqueles poderosos “sertões” determina ainda que ele se situava no grupo dos antropólogos (pois era um deles) da corrente diferencial (e não globalista) que retrata o país como um mosaico de regionalismos. Euclides, segundo ainda Fábio Lucas, possuía uma aguda percepção dos fatos, levando-o a determinar que “o litoral e o sertão tinham a separá-los entre si não apenas as distâncias, os espaços, mas sobretudo “três séculos de civilização”.
 
Antes de termos chegado ao Capítulo III, para ler e aprender tudo que foi coletado e analisado por Fábio Lucas com respeito a Euclides da Cunha, encontramos “As duas faces”, Antropologia e Sociologia. O fecho do seguimento é “Nacionalismo”. Bom será ter-se o livro em mãos para constatar-se que os grandes homens sentem, sofrem, e podem mesmo aceitar pontos de vista diversos de alguns seus iniciais, e citemos o próprio antropólogo escritor: “Sejamos justos – há alguma coisa grande e solene nessa coragem estóica e incoercível, no heroísmo soberano dos nossos rudes patrícios transviados...” E de outra citação, pudemos colher as solenes palavras de Euclides da Cunha, que muito justificam a hipótese de FL de que a presença do homem Euclides no cenário das lutas de Canudos “levou-o ao método da “observação participante” e o transformou profundamente”: “ (...) quando eu voltei, percorrendo, sob os ardores da canícula, o vale tortuoso e longo que leva ao acampamento, sentia um desapontamento doloroso e acreditei haver deixado muitas ideias  perdidas naquela sanga maldita, compartilhando o mesmo destino dos que agonizavam manchados de poeira e sangue...”
 
E Fábio Lucas, depois das 41 páginas de análises euclidianas, persiste na trilha que predeterminou para sua nova senda crítica das vozes literárias dessa região do noroeste brasileiro. E nos mostra, por segunda vez, Benedito Nunes, com aquela bela peça de estudos sobre Clarice Lispector, já estudada e referida no seu Poliedro da Crítica, de que também nos abeiramos quando fizemos leitura de seu trabalho, ocasião em que o autor revela ainda que “Benedito Nunes organiza criteriosamente a imagem da transposição da matéria ficcional para o campo da indagação especulativa acerca do valor existencial da palavra e do silêncio na obra de Clarice Lispector.”
 
Depois de tanto, muito ainda se nos apresenta FL, quando argumenta com a obra da paraense Lindanor Celina, a respeito da literatura da Amazônia: “A interação homem-natureza ali é de tal forma exuberante que os escritores não escapam do estigma de retratar os conflitos humanos perante o mistério das condições ambientais, sempre determinantes”. Afirma que um dos livros da poeta, Eram seis assinalados, guarda um tema de liberdade, com a personagem central deixando de ser instrumento de determinismo psicossocial reinante em Itaiara. A autora realiza uma trilogia de belos livros, com os títulos: Menina que vem de Itaiara, o segundo, Estradas do tempo-foi, e esse último, citado acima, Eram seis assinalados.
 
Reservou, Fábio Lucas, para o capítulo IV, final, “A Poesia da Amazônia”. Tomando por começo a trilogia de João de Jesus Paes Loureiro, faz o estudo dos livros, partindo também do terminal, Altar em Chamas, que se seguiu a Deslendário. O início de sua trilogia foi Parantim, que suscita “a busca da origem, a procura de um vocabulário e de uma sintaxe para resguardar uma herança mágica ameaçada culturalmente”. Fábio Lucas tem uma feliz colheita nessas peregrinações amazônicas. Os autores escolhidos e estudados trazem boa fortuna regionalista para a bibliografia daquelas paragens que não são só águas e verdes. Há uma especial reverência do autor ao Pentacantos ao qual chama de “O poema dos poemas”. Afirma que o encontro com este poema de João de Jesus “pode reconciliar o leitor com a poesia”. Não precisamos ouvir mais.
 
Surge um outro astro da arte poética: Ferreira Goular. Fábio Lucas inicia seu estudo abrindo um parênteses para explicar que será difícil apresentar em “breves traços, as principais características de uma obra tão complexa, marcante, densa e variada como a de Ferreira Goular”. Mesmo assim, demora-se em quinze páginas, interpretando, admirando, citando trechos, dividindo e esquematizando seu estudo primoroso.
 
O crítico das artes amazonenses se vale da edição comemorativa dos 40 anos do lançamento de A luta corporal, para dizer que aquela é uma celebração “da curva histórica necessária à crítica disposta a avaliar a coletânea que lançou o poeta Ferreira Goullar”. O analista admite encontrar na poesia desse escritor, uma certa “remissão disfarçada a obras anteriores”, como indica ser comum às obras literárias. Diz ele que, tratando-se de A luta corporal, “percebe-se um estuário de correntes poéticas que inclui contrastes barrocos, desatavios modernistas, premonições formais de vanguarda. (...) Com o tempo, a obra se tornou a marca de uma geração”, admite o crítico.
 
Vem ainda para a citação de Fábio Lucas o maranhense Nauro Machado, com o valor de sua bagagem solitária. É de solidão que se vale o poeta para decantar seus versos. Forte e firme, na Pátria do exílio, “cadenciado pelo ritmo da redondilha maior, o mais popular da língua portuguesa, converte os heptassílabos no suporte de uma inquietação espiritual que se tem denunciado desde os primórdios da elocução poética do autor”. Esta avaliação é feita assim, no tom de altíssimo som analítico, talvez com especiais entendedores.
 
É de lastimar-se que Fábio Lucas não tivesse lido o livro de José Luiz Gonçalves Guimarães, O Canto da Amazônia – Vida e morte da floresta – excelente ode mineira, em decassílabos, subdividida em 19 Cantos, a partir da “Criação do Mundo” até “O novo milênio”. A fauna terrestre e aquática, com as aves e os peixes, as águas (rios), os índios, as lendas e os ritos, a floresta exuberante e a triste, os Mestres Ausentes – Paraíso Perdido, Lusíadas, Shakespeare, Castro Alves, com o Adeus da floresta e a Juventude e o Futuro.
 
O peregrino das letras amazônicas, Fábio Lucas, faz referências com extrema simpatia à obra de Márcia Theóphilo, cearense vivamente arraigada na mitologia do Amazonas, e diz: “Da leitura de Márcia Theóphilo sente-se que a vida se reparte em todos os seguimentos da natureza, o que se percebe no poema Os meninos jaguar”. E ele cita: “O menino jaguar/ se transforma em todas as coisas/ que vivem nas águas/ se transforma em todas as coisas/que vivem na terra (...).
 
Ao transferir sua óptica para a obra poética de Benedicto Monteiro, Fábio Lucas presta homenagem ao romancista, evocando o escritor morto em 2008, e que havia lançado livro de coleta de poemas inspirados nos textos de Dalcídio Jurandir, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, além de poemas próprios. O autor de A poesia do texto “monta engenhosamente as suas composições, que ora se assemelham a uma paráfrase dos enxertos meticulosamente escolhidos, ora se caracterizam por mera transposição do fragmento inspirador para a esfera lírica”. A referência fala da “Poesia pousada na prosa”, além de se ver em Benedicto Monteiro, “reflexões sobre o destino da Literatura e os limites dos gêneros literários”.
 
Para encerrar seus estudos analíticos de obras que abordam assuntos com lastro no lirismo, o autor procura interpretar as intenções dos escritores escolhidos. Lembra Lenilde Freitas, que reviveu e deu corpo poético a textos de Clarice Lispector. E afiança que Benedicto Monteiro foi além: “interferiu na prosa dos autores selecionados, a fim de dar forma aos poemas”... Citado este, depois do autor ter exemplificado com outros escritores que reescreveram ou redesenharam textos famosos... Para amostragem, indicamos “Missa do Galo”, de Machado de Assis, conto trabalhado por uma gama sensível de ficcionistas: Antônio Calado, Autran Dourado, Nélia Piñon, Fagundes Telles e Osmar Lins.
 
Depois de muitos outros nomes lembrados, o crítico peregrino nos indica admirável trabalho moldado sobre a palavra roseana, com “Medeiro Vaz”, “Solidão”, “Viver é muito Perigoso”, “Desespero”, “Inocência”, “Pedra”, e “Diadorim”, tratados na imensa força lírica de Benedito Monteiro.
 
Professor, ensaísta, tradutor, crítico e teórico da literatura, Fábio Lucas deixou aos seus alunos das seis universidades norte-americanas, das cinco universidades brasileiras e uma portuguesa, e aos seus leitores, também alunos, o valor e a sensibilidade de sua palavra erudita.
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*Carmen Schneider Guimarães é escritora. Ocupa a cadeira de nº 5 da Academia Mineira de Letras

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Professor, ensaísta, tradutor, crítico e teórico da literatura, lecionou em seis universidades norte-americanas, cinco universidades brasileiras e uma portuguesa. Dirigiu o Instituto Nacional do Livro em Brasília, bem como a Faculdade Paulistana de Ciências e Letras. É autor de mais de 50 obras de crítica e ciências sociais. Considerado um dos mais importantes críticos e conferencistas internacionais de literatura brasileira.

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