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Primeira obra de Dicke chega a 3ª edição
Página publicada em: 17/08/2013
Lorenzo Falcão
Livro do chapadense Ricardo Guilherme Dicke é lançada na Casa das Rosas, em São Paulo. Matéria publicada originalmente no jornal "Diário de Cuibá" (2010)
“Com a apresentação que foi feita de mim aqui nem sei mais o que vou falar”. A frase é de Nelly Novaes Coelho, uma das ‘autoridades’ literárias com direito à palavra que participou do lançamento da terceira edição da primeira obra do escritor mato-grossense, Ricardo Guilherme Dicke, Deus de Caim. O lançamento aconteceu em São Paulo, na última quarta-feira à noite, na Casa das Rosas, um prestigiado espaço cultural paulistano.

Nelly é crítica de literatura e escritora, autora de inúmeros livros. Além dela, com assento à mesa e direito à palavra, outros escritores e críticos como Ronaldo Cagiano e Raquel Naveira, além do escritor e editor da LetraSelvagem, editora responsável pela publicação, Nicodemos Sena.

A obra de Ricardo Dicke, falecido há pouco mais de dois anos, começou a se delinear em 1967, com este romance, um dos ganhadores do Prêmio Walmap de Literatura, que tinha como jurados Guimarães Rosa, Jorge Amado e Antonio Olinto. Nessa época, Dicke tinha acabado de se mudar para o Rio de Janeiro onde iniciava ‘oficialmente’ sua carreira literária. Poucos anos antes teve uma bem-sucedida e meteórica carreira como artista plástico.

Em 1966 chegou a realizar uma exposição no então Grande Hotel, em Cuiabá, prédio onde hoje se situa a Secretaria de Estado de Cultura. Nessa mostra vendeu quase todos os quadros e angariou fundos, com os quais se transferiu para o Rio, cidade onde estudou e se formou em Filosofia, adentrando-se de cabeça na literatura e conquistando a simpatia da intelectualidade brasileira relacionada com a literatura. “Aí está um romancista de tipo novo, um homem capaz de abalar nossa ficção”, disse sobre ele o grande escritor Guimarães Rosa, após ler e premiar “Deus de Caim”.

Ricardo chegava a relatar de uma longa conversa que teve com Guimarães Rosa, por telefone, logo após a premiação. Numa noite tempestuosa, cheia de raios, conversaram durante muito tempo e ambos se assumiam como escritores que ‘escreviam como capiaus’. Estudiosos e acadêmicos costumam comparar a obra de ambos, que são narrativas explorando a ambiência rural e pontuadas por personagens típicos da intensa extensão territorial brasileira. Essa comparação, até certo ponto, limitou e prejudicou Ricardo Dicke, já que ficou demasiadamente associado com Rosa, segundo palavras do próprio Dicke. Mas isso é assunto que ainda deve ser esmiuçado com o passar dos tempos, daí a importância de, através de novas edições (reedições ou edição de inéditos) possibilitar que Dicke seja mais e mais lido e conhecido pelos leitores mais preparados.

O lançamento da terceira edição deste livro não chegou a atrair um grande público, o que é perfeitamente normal numa literatura mais refinada, erudita mesmo, mas chamou a atenção da grande imprensa, com resenhas, textos jornalísticos, notas etc., em alguns dos principais veículos impressos brasileiros.

Emocionado, o editor Nicodemos Sena disse palavras carregadas de sensibilidade e reconhecimento para com a literatura de Dicke. Pela repercussão do lançamento e pelo que discorreram sobre Dicke e seus escritos Cagiano, Nelly e Raquel, a terceira edição chega ao público leitor com o salvo conduto de uma espécie de missão cumprida. Num linguajar mais comum e direto, ‘colocar Ricardo Dicke na roda’ foi um objetivo pleno de êxito nesta ocasião.

“A literatura é uma grande arte. Sua matéria é a experiência da vida”, pontuou Nelly Coelho, com sabedoria. Dizem que as mulheres não gostam de mencionar suas idades. Não que Nelly o tenha feito, mas ela como que ironizou ao dizer que na infância gostava muito do cinema mudo. Também cheia de recordações e emoções, resumiu seu conhecimento com Dicke, enquanto pessoa, e com sua obra. O autor mato-grossense consta numa obra dela que selecionou 81 dos principais escritores brasileiros, entre os quais alguns que ainda não tiveram a merecida visibilidade.

“Eu queria dizer da importância de se publicar um autor como Ricardo Guilherme Dicke”, comentou Ronaldo Cagiano, que compunha a mesa. Ele valorizou bastante a iniciativa da LetraSelvagem, destacando a coragem de abrir mão do viés econômico do empreendimento, favorecendo o alcance cultural. Saudou de forma calorosa a iniciativa de Nicodemos Sena e criticou o oligopólio do mercado cultural e sentenciou o impacto que Deus de Caim lançou sobre a literatura brasileira.

Raquel Naveira, natural de Mato Grosso do Sul evocou as semelhanças entre os dois estados através das características ambientais que são as mesmas em muitas regiões. Esse viés geográfico ela pinçou em trechos de “Deus de Caim” e também leu alguns poemas seus (Raquel) que mencionam a ambiência regional.

Foi uma cerimônia simples e não muito prolongada. As pessoas presentes também não eram muitas, talvez até porque não são muitos aqueles que leem as obras de Dicke. Mas o assunto e a temática ‘dickeana’ há de perdurar por muitos e muitos anos. Ricardo Dicke é um escritor que perturba e incomoda. Um sujeito que escrevia e botava o público leitor pra pensar. Pensar, no entanto, parece que anda um pouco em falta. Então...

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* Lorenzo Falcão é jornalista e escritor mato-grossense; viajou à convite da Editora LetraSelvagem e representou a família do escritor Ricardo Guilherme Dicke no lançamento do livro em São Paulo

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» Álvaro Alves de Faria

Já em 1971, ano da primeira edição do romance "O Tribunal" (Editora Martins-SP), Álvaro Alves de Faria, com apenas 29 anos de idade (nasceu em São Paulo em 1942), era considerado “um dos escritores jovens mais conceituados” do Brasil, como informa o jornalista Durval Monteiro nas orelhas do livro. Da Geração 60 de Poetas de São Paulo, Álvaro Alves de Faria publicou mais de 50 livros, incluindo poesia, novelas, romances, ensaios literários, livros de entrevistas com escritores e é também autor de peças de teatro, entre elas "Salve-se quem puder que o jardim está pegando fogo", que recebeu o Prêmio Anchieta para Teatro, um dos mais importantes dos anos 70 do Brasil. Como poeta, recebeu os mais significativos prêmios literários do país. É traduzido para o inglês, francês, japonês, espanhol, italiano, servo-croata e húngaro.

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