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Obras Selvagens

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Uma Garça no Asfalto
Página publicada em: 09/08/2014
Clauder Arcanjo / Preço: R$30,00 (176 pág.)
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O título "Uma garça no asfalto" remete ao tema das coisas “fora do lugar”. E ao absurdo que está na base de toda boa literatura.
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Neste livro sensível e certeiro de Clauder Arcanjo, reaparecem com força e plasticidade os seres socialmente invisíveis que Drummond soube tratar tão bem em suas crônicas e que já haviam marcado a literatura brasileira com as inesquecíveis figuras dos “retirantes” de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e também inspirou o chileno Gonzalez Vera a escrever a novela Vidas Mínimas (1923), na qual retrata a sua experiência de vida num cortiço de Santiago, o que nos remete a O Cortiço, de Aluízio de Azevedo. Dificilmente os “humilhados e ofendidos”, de que se ocupou o russo Dostoievski, encontrarão melhor tratamento, em língua portuguesa, do que nessas crônicas de Clauder Arcanjo, sepultando-se a ideia de que a crônica é um gênero literário menor.
 
Da vida para a literatura, saltam tipos e figuras surpreendentes, como aquela jovem que, de joelhos, com a cabeça de encontro a uma cruz na beira da estrada, reza pela mãe morta. Ou a mãe e seu filho caídos na calçada da cidade grande, atrapalhando a passagem do Ano. Ou Antonio Francisco, de pequena estatura, “entroncado feito saco socado, mas ligeiro das pernas que só vendo”, que, apesar das pernas curtas, tornou-se o campeão das corridas de bicicleta, até que um dia foi atropelado e, com a mesma teimosia com que se tronou “atleta”, tornou-se poeta. Ou as duas velhas damas apaixonadas pelas letras, que “plantavam” (deixavam) jornais nos bancos das praças, a fim de que os jovens levassem e os lessem.
 
Nessas e noutras situações, o leitor se deparará com um observador arguto e sonhador, que não admite que o cotidiano alienador vença a surda batalha que se trava em seu peito.
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» Adelto Gonçalves

Jornalista com passagem em alguns dos maiores órgãos da Imprensa de São Paulo, professor univeresitário com doutorado pela USP (Univesidade de São Paulo), especialista em Literatura Portuguesa e Espanhola, autor de ensaios premiados, é também excelente ficcionista, como se pode comprovar neste romance "Os vira-latas da madrugada", um dos livros premiados, em 1980, no concurso de âmbito nacional promovido pela Livraria José Olympio Editora, que o lançou em 1981, e, trinta e quatro anos depois, é reeditado pela LetraSelvagem. "Adelto Gonçalves tem o dom de fazer viver suas personagens, convencendo o leitor de seu valor humano, mesmo quando suas ações, como as de Pingola e Quirino, lhe repugnem", escreveu Maria Angélica Guimarães Lopes, professora emérita da Universidade South Carolina, em resenha publicada na "Revista Iberoamericana", do Instituto Internacional de Literatura Iberoamericana, Universidade de Pittsburg, EUA, janeiro de 1985.

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