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Da opressão à liberdade / ENTREVISTA
Página publicada em: 07/11/2015
Vicente Franz Cecim
Cineasta e escritor, João Batista de Andrade mais uma vez aborda o tema da opressão em seu novo livro “Poeira e Escuridão”, editado pela LetraSelvagem, a editora paraense sediada em São Paulo, criada pelo escritor santareno Nicodemos Sena. Andrade é um dos muitos artistas brasileiros que sofreram na vida e na obra a repressão da ditadura militar e muito jovem passou a lutar pela liberdade de expressão com as armas da arte. Agora, em “Poeira e Escuridão”, enquanto recorda suas lutas passadas, também celebra o presente.
Entusiasmado e surpreendido por estar tendo a oportunidade de “revelar e lembrar ao país algumas coisas que o Brasil desconhece ou já esqueceu” através de um editor do Norte, ele comenta: “É justamente um livro de momentos, onde se vê que vivo no campo e na cidade. Um tanto memorialista, acho que encantado com tudo, revelando as belezas e as asperezas do mundo”. O entusiasmo é recíproco: “Ele tem o perfil da editora, aos 76 anos continua combativo”, diz Nicodemos Sena, para quem a LetraSelvagem, criada em 2007, foi criada justamente no centro cultural do país para “resgatar autores e livros brasileiros de alto nível literário mas que, por razões extraliterárias, caíram no esquecimento.”
 
O escritor e cineasta se iniciou no cinema ainda estudante, na Escola Politécnica da USP, em 1963 - já sob o signo do confronto com a opressão militar que se instalara no país – e teve que abandonar o curso no ano seguinte, que seria o último, quando foi deflagrado o golpe militar. Sem se intimidar, realizou o documentário “Liberdade de Imprensa”, com a marca do seu “cinema de intervenção”, mas o filme foi apreendido pelo Exército no Congresso da UNE, em 1968. Seu cinema, marcado por realizações voltadas para a denúncia e à reflexão política, acabou se impondo, e recebeu um dos mais importantes prêmios internacionais do cinema brasileiro, a Medalha de Ouro de Melhor Filme no Festival de Moscou, em 1981, com “O Homem que Virou Suco”.
 
Quando vieram os primeiros resultados do movimento das Diretas, passou a desmistificar violentamente a ilusão da abertura democrática, realizando “A Próxima Vítima”, em 1983, e recebeu, em 1987, quase todos os prêmios do Festival de Brasília, com o polêmico “O país dos tenentes”, onde o tema é novamente o regime militar.
 
Mas, no caso de João Batista de Andrade, os golpes recebidos vieram também da nascente democracia, que já denunciara: o Plano Collor – que o levou ao autoexílio no interior brasileiro, ficando oito anos sem filmar – outra vez interrompeu suas atividades de realizador. E seu retorno ao cinema só se deu em 1999, com o “O Tronco”, baseado no romance homônimo de Bernardo Élis – que recebeu o prêmio de Melhor Filme, da Comissão das Comemorações dos 500 anos de Brasil, no Festival de Brasília.
 
As coisas melhoraram para João Batista de Andrade. Nem por isso seu passado combativo arrefeceu: em 2005 realizou o documentário de longa metragem “Valdo, trinta anos depois”, sobre seu amigo Vladimir Herzog, jornalista morto em dependências do Exército em São Paulo em 1975.
 
Em 2010, ele foi o grande homenageado do Festival Latino-americano de Cinema, realizado pela Fundação Memorial da América Latina, da qual se tornou presidente em 2012.
 
O editor Nicodemos Sena está agendando o lançamento de “Poeira e Escuridão” também em Belém, além de outras cidades do país. E revela que “vai aproveitar a ocasião para mostrar aos leitores paraenses outras obras da LetraSelvagem”, entre elas seu lançamento de maior fôlego: o substancial estudo Escritores Brasileiro do Século XX, da ensaísta brasileira Nelly Novaes Coelho.
 
O Magazine (caderno encartado no jornal "O Liberal", de Belém do Pará) conversou com João Batista de Andrade sobre sua vida e obra, às vésperas do lançamento de Poeira e Escuridão (contos), juntamente com O Tribunal, de Álvaro Alves de Farias e Os vira-latas da madrugada, de Adelto Gonçalves (romances), na Casa das Rosa, em São Paulo, no próximo dia 18, com apresentação do ensaísta Fábio Lucas e reflexão com o público sobre o tema “Literatura e Liberdade”.
 
Como foi conseguir viver e fazer cinema e literatura de combate durante a Ditadura?
 
Difícil, já que as ditaduras nos querem mortos. Seja fisicamente, seja intelectualmente. Mas eu e todos os brasileiros não tínhamos opções.  Era preciso fazer política, criar, pensar. O futuro do Brasil dependia disso.
 
Seu começo foi pelo cinema ou pela literatura?
 
Olha, tudo junto, misturado, como costumam dizer hoje. Vim do interior de Minas para estudar na Politécnica da USP, em 1960. E me encantei com as possibilidades culturais, tudo novidade para mim. Desde o início, abracei junto a política, o cinema e a literatura. Na política, a militância no PCB, na literatura, um jornal literário com colegas da Poli, no cinema formando um grupo, pelo final de 1962. Nunca abri mão de nenhum dos três, até hoje.
 
Cinema ou literatura? Preferência por um deles?
 
De certa forma são independentes. Geralmente faço meus roteiros, mas nunca adaptei livro meu. Prefiro que outros o façam. E quando escrevo para filme, a forma é determinada pelas exigências técnicas do cinema. Na literatura, posso dizer que, no caso da escrita, sou mais livre: começo sempre sem saber para onde vou. E tudo vale. 
 
O primeiro livro saiu quando?
 
Foi tardio, já que o cinema me prendeu, mesmo que eu nunca tivesse parado de escrever. Parei foi de publicar. O livro, não por acaso, é o aproveitamento de textos ficcionais que escrevi durante o golpe de 1964. Textos sofridos, valem até como documento de uma época, daquele momento. É o Perdido no Meio da Rua.
 
E a literatura infantil?
 
Sim, depois fiz literatura juvenil, A terra do Deus dará, que fez sucesso, cerca de doze edições. Uma aventura de garotos, descobrindo as contradições e as crises sociais desse nosso país. Bem forte, os jovens leitores adoraram. Quanto aos livros para gente grande, entre outros que escrevi, um foi um marco: Um olé em deus, bem festejado, marcado por uma liberdade narrativa enorme em torno da questão da violência, aquela entranhada em nosso ser-brasileiro. Já Confinados seguiu essa linha independente, um pouco cinematográfica, um pouco autobiográfica, uma ficção com um número enorme de personagens que mal ou nada se conhecem, cidade grande em crise, bandidos que se apossam das ruas e cidadãos aprisionados em suas casas, com medo. É o livro que garantiu minha candidatura ao Prêmio Juca Pato, de intelectual do ano em 2014, pela União Brasileira de Escritores (UBE). Venci e recebi o prêmio, um orgulho danado. 
 
Seus filmes mais conhecidos?
 
Há o “Doramundo”, mas outro é ainda mais conhecido, “O homem que virou suco”, que conquistou a Medalha de Ouro do Festival de Cinema de Moscou e venceu grandes festivais internacionais.
 
Qual sua relação com o pessoal do Cinema Novo?
 
Sou um cinemanovista tardio. Entrei para a turma mais tarde que meus amigos - Leon Hirzmann, Joaquim Pedro, Luis Sérgio Person principalmente.
 
Você se define como um homem do interior que circulou e circula pelo espaço urbano? Natureza ou cidade? Tem preferência?
 
Não vivo sem os dois. Minha vida criativa e crítica está em São Paulo. Todo o meu cinema, quase toda a minha literatura. Mas o campo, o mato, o cerrado - esse o que corre em minhas veias, base de minha emoção. 
 
_____________________
* Vicente Franz Cecim é escritor, jornalista e publicitário paraense, autor de Viagem a Andara, o Livro Invisível (ganhador do Grande Prêmio da Crítica da APCA-Associação Paulista de críticos de Arte)
 
* Entrevista publicada originalmente no caderno Magazine do jornal "O Liberal" (26/09/2015, Belém-PA)

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» Álvaro Alves de Faria

Já em 1971, ano da primeira edição do romance "O Tribunal" (Editora Martins-SP), Álvaro Alves de Faria, com apenas 29 anos de idade (nasceu em São Paulo em 1942), era considerado “um dos escritores jovens mais conceituados” do Brasil, como informa o jornalista Durval Monteiro nas orelhas do livro. Da Geração 60 de Poetas de São Paulo, Álvaro Alves de Faria publicou mais de 50 livros, incluindo poesia, novelas, romances, ensaios literários, livros de entrevistas com escritores e é também autor de peças de teatro, entre elas "Salve-se quem puder que o jardim está pegando fogo", que recebeu o Prêmio Anchieta para Teatro, um dos mais importantes dos anos 70 do Brasil. Como poeta, recebeu os mais significativos prêmios literários do país. É traduzido para o inglês, francês, japonês, espanhol, italiano, servo-croata e húngaro.

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