Editora LetraSelvagem

Literaura Brasileira

Os melhores escritores do Brasil

Ricardo Guilherme Dicke

Romance, Poesia, Ficção

Deus de Caim

Olga Savary

Nicodemos Sena

Edivaldo de Jesus Teixeira

Marcelo Ariel

Tratado dos Anjos Afogados

LetraSelvagem Letra Selvagem

Santana Pereira

Sant´Ana Pereira

Romance

Nicodemos Sena

Invenção de Onira

A Mulher, o Homem e o Cão

A Noite é dos Pássaros

Anima Animalista - Voz de Bichos Brasileiros

A Espera do Nunca mIas (uma saga amazônica)

O Homem Deserto Sob o Sol

Romancista

Literatura Amazonense

Literatura de Qualidade

Associação Cultural Letra Selvagem

youtube
Destaque Cadastre-se e receba por e-mail (Newsletter) as novidades, lançamentos e eventos da LetraSelvagem.
Lançamento do livro K - O escuro da semente

Críticas

Fonte maior
Fonte menor
Baú de lembranças
Página publicada em: 27/07/2017
Fernando Py
Em busca da infância perdida, um filho acompanha seu pai ao lugar onde este teria sido feliz. Livro-metáfora. Livro-poesia. Vida que salta do "baú de lembranças" diretamente para a Literatura. Estranho olhar. Memória enlouquecida que ilumina uma "realidade" distorcida. (Leia, a seguir, a resenha de Fernando Py, publicada originalmente no jornal "A Tribuna de Petrópolis", Petrópolis, RJ, 9/6/2017)
”Baú de lembranças” é um dos apelidos que o escritor paraense Nicodemos Sena emprega para designar os textos que compõem seu livro Choro por ti, Belterra! (Taubaté, SP: LetraSelvagem, 2017).
 
Temos um conjunto de 19 episódios que formam uma única narrativa. Quando qualquer pessoa cultiva o íntimo desejo de se restituir à infância e aos tempos em que criou seu próprio mundo e, nesse caso, procura visitar de novo a terra em que nasceu e guarda na memória, pode encontrar de novo essa região em que viveu. Porém tal região sempre estará incompleta – essa pessoa encontra o local mas falta-lhe a própria infância. Isto é o que, de certo modo, acontece com o pai do autor, Bernardino Sena, 78 anos, que viaja com o filho para regressar às suas origens: Belterra, que já foi distrito de Santarém e recentemente se tornou município. Chegando lá, tem a surpresa e o desaponto de achar a região em ruínas.
 
A sua Belterra está deserta, é uma povoação desabitada e quase destruída. Encontram afinal vestígios de atividade à margem esquerda da estrada: o portal de uma fábrica de beneficiamento de madeira. E o filho comenta: “Essa fábrica provavelmente ocupa o espaço que era das seringueiras”. Mas a fábrica está desabitada, todo o material tem aspecto de abandono.
 
E assim por diante. Por onde vão passando, na demanda do centro da povoação, tudo está deserto de gente, uma ausência incrível e inexplicada, pois no tempo da infância do pai, Belterra “tinha um movimento danado”. O magnata norte-americano Henry Ford resolvera investir no Brasil em plena Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e organizou plantações de seringueiras, de cujo leite se fez a borracha necessária para os pneus usados nos carros de guerra.
 
Por fim, pai e filho descobrem uma casinha pobre, onde moravam um casal e a filha única. Diziam que eram pobres, mas felizes. Mais adiante, outra casinha pobre, outros sitiantes, mãe e neta, que recebem os chegados com água e café, enquanto Belterra continuava deserta, parecendo uma cidade fantasma.
 
E assim, pai e filho vão percorrendo a estrada comprida e inteiramente desprovida de pessoas. Chegam ao prédio da escola onde o pai estudara: está abandonado, não há nada que indique vida. Na estrada, de lado a lado, somente casas brancas totalmente desabitadas. Onde estaria o povo dali? O abandono e o lixo das ruas era tal que fez o filho lembrar-se de Macondo de García Marquez, em seus “Cem anos de solidão”. De quando em vez, os viajantes deparam com alguém, mas o povo em geral onde está?
 
Nesse livro-metáfora, livro-poesia, Belterra (“Bela terra”) pode ser o símbolo da infância perdida ou, segundo as reflexões do próprio Nicodemos Sena, “era certamente a cidade mais viva e povoada do mundo, não importa que eu, em minha cegueira, não enxergue as pessoas e a vida que escorrem perenes...”
 
____________
*Fernando Py é poeta, crítico literário e tradutor; traduziu a íntegra da monumental obra Em busca do tempo perdido  

Faça seu comentário, dê sua opnião!

Imprimir
Voltar
Página Inicial

Destaques

Autores Selvagens

Autor

» Fiodor Mikhailovich Dostoievski

Já na estreia, com "Gente Pobre", publicado quando Dostoievski tinha apenas 25 anos, o crítico mais influente da Rússia, Vassilión Bielínski, vaticinou o surgimento de um gigante da literatura, comparável a Gógol e Pushkin, considerados os maiores escritores da Rússia. Recebido como “a primeira tentativa de se fazer um romance social” no país dos czares, "Gente Pobre" entretanto já prenunciava a incisiva e subterrânea sondagem psicológica da humanidade ‘humilhada e ofendida’ que se observa em todos os seus romances, e que levou o pai da psicanálise, Sigmund Freud, a considerar "Os Irmãos Karamazov" (1879) a “maior obra da história”.

Colunas e textos Selvagens

© 2008 Associação Cultural LetraSelvagem - Todos os Direitos Reservados.