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Para que serve a poesia?
Página publicada em: 02/04/2008
Dirce Lorimier Fernandes*
Texto analisa a poesia de Edivaldo de Jesus Teixeira no livro "O homem deserto sob o sol" e fala do "olhar que transcende o olhar"
A escritora Olga Savary, ao analisar o livro do poeta Edivaldo de Jesus Teixeira, "O homem deserto sob o sol", diz que a poesia serve para a essência do ser, para o essencial da vida. E a Literatura é sacrifício e dedicação perene. Qual é a essência do ser perceptível na obra desse poeta e juiz? Eu diria que é a sensação de Solidão.
 
Uma Solidão saudável, necessária ao labor vático, em busca da produção de algo especial e perfeito. É nesse enigmático universo que Edivaldo imerge compondo uma quadra metalingüística para definir o difícil labor do maestro:
 
Armado de violoncelos e papiros
componho essas sinfonias
onde o maestro sempre se mata
sem alcançar a harmonia.
 
Um texto breve, mas rico em significados que faz lembrar a "Profissão de Fé" de Olavo Bilac. Sim, porque o labor de um poeta tanto pode assemelhar-se ao labor de um ourives como também ao de um maestro; este dirigindo instrumentos, tentando harmonizá-los e aquele organizando palavras que reflitam a sua essência enquanto ser dotado de especial sensibilidade.
Sobre as coisas que o olhar pode captar, Edivaldo compõe o significado de seu estar no mundo:
 
Os olhos que giro sobre as coisas
me situam no mundo.
Dão-me a luz sutil dos besouros
e da palavra que me alimenta.
como um sentido definitivo,
os olhos que giro sobre as coisas
me orientam além da superfície.
 
Esse olhar que transcende o olhar eleva o poeta para a captação de significados profundos; esse olhar leva-o a superar-se, a ir além de suas limitações.
Por isso, explica:
 
Como os olhos inusuais de Salvador Dali
sobre a fúria do tempo
ou o olho centrífugo do Hubble
desvelando novas galáxias,
os olhos que giro, meus olhos,
desde a infância mais remota,
dão-me a luz única da vida.
 
Este é "O homem deserto sob o sol", cuja luz maior procede d'os olhos com os quais o poeta gira seus próprios olhos em busca da palavra, do som e da harmonia que deve alimentar o homem deserto, silencioso, reflexivo.
 
Na opinião do escritor Nicodemos Sena, a 'verdade' de Edivaldo emerge diáfana e transcendente, quase divina; essa 'verdade' "não se dirige à massa bovina, mas aos solitários e a quem tiver ouvido para coisas inauditas".
 
Parafraseando Rainer-Maria Rilke, a essência d'o homem deserto' Edivaldo só encontra na Solidão. Isto torna doloroso o crescimento "como o das crianças e triste como a ante-primavera. Caminhar em si próprio e, durante horas, não encontrar ninguém, a isto é que é preciso chegar." E é assim que Edivaldo encontra "a luz única da vida". O poeta se basta para viver.
 
*Dirce Lorimier Fernandes é doutora em História da Cultura pela Universidade de São Paulo(USP), membro da Associação Paulista de Críticos de Artes(APCA) e autora, entre outros, de "A literatura infantil" (Ed.Loyola) 
 

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» António Cabrita

António Cabrita ainda é uma novidade para o público brasileiro, mas não para a crítica do Brasil, que acompanha os passos desse importante e irrequieto escritor português. Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela USP-Universidade de São Paulo, afirmou: “Este português de Almada (1959) foi para Maputo (Moçambique) há poucos anos, numa época em que raros lusos se dispõem a ir para a África e os que de lá retornaram choram até hoje o ‘império colonial derramado’. Não se arrependeu, pois encontrou material, o chamado ‘tecido da vida’, para escrever novas e surpreendentes histórias como estas que o leitor brasileiro tem a oportunidade de conhecer”. E Maurício Melo Júnior, que é escritor, crítico e apresentador do programa Leituras da TV Senado, escreveu a respeito do romance "A Maldição de Ondina", que marca a estreia de António Cabrita no Brasil: “António Cabrita traz a capacidade de domar o espírito aventureiro e conservador de Portugal. E isso é o cerne de nossa alma universal”.

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