Editora LetraSelvagem

Literaura Brasileira

Os melhores escritores do Brasil

Ricardo Guilherme Dicke

Romance, Poesia, Ficção

Deus de Caim

Olga Savary

Nicodemos Sena

Edivaldo de Jesus Teixeira

Marcelo Ariel

Tratado dos Anjos Afogados

LetraSelvagem Letra Selvagem

Santana Pereira

Sant´Ana Pereira

Romance

Nicodemos Sena

Invenção de Onira

A Mulher, o Homem e o Cão

A Noite é dos Pássaros

Anima Animalista - Voz de Bichos Brasileiros

A Espera do Nunca mIas (uma saga amazônica)

O Homem Deserto Sob o Sol

Romancista

Literatura Amazonense

Literatura de Qualidade

Associação Cultural Letra Selvagem

youtube
Destaque Cadastre-se e receba por e-mail (Newsletter) as novidades, lançamentos e eventos da LetraSelvagem.
Lançamento do livro K - O escuro da semente

Artigos

Fonte maior
Fonte menor
As reflexões de Marcelo Ariel
Página publicada em: 28/05/2008
Dirce Lorimier Fernandes*
Como Vitor Hugo fez em "Os miseráveis", Marcelo Ariel denuncia a injustiça social que precipita o abismo que separa elites e miseráveis
Tratado dos Anjos Afogados é o título do livro de Marcelo Ariel, cuja análise não cabe em apenas uma página.  É uma obra intrigante, a partir do título e da própria capa do livro, dois elementos que eu considero sabiamente explicativas do rico cerne ou relicário onde o poeta/dramaturgo depositou as suas angústias. Não consigo apontar onde está verdadeiramente o gênio, uma vez que a verve caminha de página em página denunciando um autor que não perdeu de vista o mais ínfimo tema que cercou a sua vida.
 
Analisado por críticos renomados, quase nada mais resta a dizer sobre esta obra iniciada com um triste poema dedicado às crianças. O homem, e não um bicho, que foi surpreendido por Manuel Bandeira quando se alimentava dos restos jogados numa lata de lixo, universalizou-se e foi visto depois por Ariel como O Espantalho (página 21):
 
no meio do lixão
visão do alto
uma calça e uma camisa
São a
evocação do corpo
de um homem
sem sapatos
suas mãos
dois urubus rasgando um saco
sua cabeça
um rato
 
O poeta é despertado inicialmente pelo invólucro que alude a um corpo, trabalhando sabiamente uma metonímia como a pretender iniciar seu livro alertando sobre as coisas que o atormentam. Ao praticar um zoomorfismo comparando mãos com urubus, só lhe restava mesmo fechar o texto com a metáfora que rebaixa o homem ao nível do rato. Em tal condição, o homem lembra bichos repugnantes.
 
O Livro I, que consiste na denúncia sobre a condição a que SOCIEDADE submete uma camada da sociedade, finaliza com o poema (página 54) que revela a culminância do total desamparo, ou impotência, do poeta:
 
entre o caos de Pirandelo e o de Pasolini
invade o poema um menininho fumando crack na esquina
dentro da vida cínica
entre o caos de Afonso Henriques Neto e o caos convertido
em teatro fatal pelo menino
penso em dar um tiro de misericórdia
nos poemas
poemas são a merda da alma
e o tempo é uma lenta bala perdida, me diz o silêncio do
menino
 
Texto amargo, tem gosto de fel, não se fecha como que a alertar a sociedade para o problema sem fim.
 
Obra amparada numa rica erudição, composta por diálogos e poesias ao longo dos textos (ou Livros) I a VI.  Mas a dor ante a realidade não abandona o poeta (página 57):
 
ALICE NO PAÍS DA MARAVILHAS
Versão do Diretor
 
Estou
no Inferno?
Não,
é o Carandiru
e faltam
5 segundos para o
massacre dos 111.
 
O poeta reforça a idéia de que poesia também se faz com ingrediente ruim.
Coisa ruim também é tema de poesia. A injustiça social precipita o abismo que separa elites e miseráveis. Nisto constituiu a denúncia de Vitor Hugo em Os miseráveis, em 1862.
 
Nos livros II a VI o autor estabelece diálogos entre poetas, escritores e filósofos, sempre instigando o leitor a novas reflexões sobre a vida e a morte; sobre o desamparo dos seres humanos nesta incrível e hipócrita sociedade em busca da felicidade. Qual?
______________________
*Dirce Lorimier Fernandes é doutora em História da Cultura pela Universidade de São Paulo(USP), membro da Associação Paulista de Críticos de Artes(APCA) e autora, entre outros, de "A literatura infantil" (Ed.Loyola)  

Faça seu comentário, dê sua opnião!

Imprimir
Voltar
Página Inicial

Destaques

Autores Selvagens

Autor

» Sant ´Ana Pereira

Autêntico representante da moderna ficção amazônica; os romances desse autor paraense expressam o conflito entre a onírica visão de mundo de seus antepassados ameríndios e a racionalidade herdada do colonizador europeu

Colunas e textos Selvagens

© 2008 Associação Cultural LetraSelvagem - Todos os Direitos Reservados.