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A força da poesia de Olga Savary
Página publicada em: 05/07/2008
Alfredo Garcia*
Sobre o "estranho silêncio" dos paraenses sobre a também paraense Olga Savary, considerada pela crítica uma das mais importantes poetas do Brasil (texto publicado na revista "Via Pará")
Aos 75 anos de idade, com a bagagem cultural de quem já conseguiu 40 prêmios nacionais em literatura de respeitadas instituições como a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Câmara Brasileira do Livro (já ganhou o ambicionado Jabuti), Academia Brasileira de Letras (ABL) e União Brasileira de Escritores em São Paulo e Rio de Janeiro, e integra 950 livros como poeta, ficcionista, ensaísta, antologista, tradutora e jornalista, a escritora Olga Savary lança o seu 19º livro de Poesia.

Geminiana autêntica, nascida em Belém no dia 21 de maio, filha de pai russo (Bruno Savary) com ascendência francesa, alemã e sueca, e de mãe paraense, Célia Nobre de Almeida, de Monte Alegre, Olga Savary vem construindo paulatinamente na Literatura Brasileira uma obra de inigualável qualidade, como poucos autores paraenses realizaram. Por isso se estranhar tanto silêncio local sobre a sua obra – desconhecimento tácito ou anemia intelectual latente? – seja de leitores comuns, bem mais das academias.
 
Uma oportunidade de romper o silêncio é ler este Anima Animalis – Voz de bichos brasileiros (LetraSelvagem, 152 páginas, 2008), uma notável coletânea de poemas da escritora que traz “liberdade, sedução, arte, mistério, ciência, adaptação, sonho, erotismo, pensamento, morte. E vida.”, segundo escreve Christina Ramalho no prefácio do livro. São nove hai-kais e um poema longo que compõem a publicação. Com um detalhe: todos traduzidos para cinco línguas ao menos. Nos hai-kais, segundo destaca Jorge Wanderley, poeta, ensaísta e professor de Literatura Brasileira da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a autora trabalha de forma minimalista em gênero que exige a concentração do elemento poético, da “inteligência, sensibilidade e domínio da disciplina formal”.
 
Tudo isso Olga Savary possui de sobra. Falta mesmo os leitores do Pará adquirirem e lerem seus livros, afinal para boa parte a autora ainda é uma ilustre desconhecida – e quem perde com isso são eles e não a escritora. Uma amostra da força poética de Anima Animalis é este hai-kai intitulado “Peixe”: “Vi o rio nascer/ da minha guelra e nela / armadilho o mar”.
 
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*Alfredo Garcia é escritor, professor e jornalista de Belém do Pará, autor, entre outros, de O livro de Eros (Ed. Cejup)                                                              

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» António Cabrita

António Cabrita ainda é uma novidade para o público brasileiro, mas não para a crítica do Brasil, que acompanha os passos desse importante e irrequieto escritor português. Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela USP-Universidade de São Paulo, afirmou: “Este português de Almada (1959) foi para Maputo (Moçambique) há poucos anos, numa época em que raros lusos se dispõem a ir para a África e os que de lá retornaram choram até hoje o ‘império colonial derramado’. Não se arrependeu, pois encontrou material, o chamado ‘tecido da vida’, para escrever novas e surpreendentes histórias como estas que o leitor brasileiro tem a oportunidade de conhecer”. E Maurício Melo Júnior, que é escritor, crítico e apresentador do programa Leituras da TV Senado, escreveu a respeito do romance "A Maldição de Ondina", que marca a estreia de António Cabrita no Brasil: “António Cabrita traz a capacidade de domar o espírito aventureiro e conservador de Portugal. E isso é o cerne de nossa alma universal”.

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